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provedor eleuterio alves

Dr. Eleutério Manuel Alves

“Chamaram-lhe Santa os nossos avós porque, adjetivo mais precioso não existia em nosso idioma, porque santas são as obras dos santos e santas são as benemerências que ela espalha; chamaram-lhe Santa Casa por ser solar aristocrático do bem querer e do bem fazer; e appuseram-lhe Misericórdia porque, em verdade, é o coração da minha terra e da minha gente a pulsar, a bater, a estuar pelos desgraçados a quem falta a doce quentura de um lar, o pão negro que mata a fome inda mais negra, o farrapo que liberta do frio, a caricia da voz que se derrete em consolos, o sorriso de uns lábios que sabem amaciar amarguras e converter, em gestos resignados, convulsões de desespero. 

Só a nossa terra possue, a dentro das cidades e villas, esta instituição admirável, de um cunho eminentemente christão porque era christã a alma extraordinária que a creou, porque foi um povo de monges e de soldados que a consolidou, porque foram christãos os reis que a enriqueceram de privilégios, de tenças, de foraes, de mercés, porque christianissima é a sua bandeira- N. Senhora da Misericórdia- obrigando, por entre as pregas do manto imenso, os miseráveis da terra. E o facto de só entre nós existir a Virgem com esta invocação, bem prova que só dos nossos reservatórios affetivos podia sair esta causa, que é o meu e o vosso enlevo - A Santa Casa”. 

Monsenhor José de Castro in: “A Irmandade da Santa e Real Casa da Misericórdia de Bragança- 500 Anos das Misericórdias e da Cruzada da Solidariedade”.

 

 

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